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quinta-feira, 16 de julho de 2015

A Difícil Tarefa de Ser Julgado(a) o Tempo Todo

Outro dia estava num almoço de família, no qual estavam várias mães e suas crianças. Uma delas, que é sempre ativa e falante estava amoadinha e sonolenta. Sua mãe disse que ela teve febre durante toda a noite e ainda estava indisposta e cansada. O almoço era em comemoração a uma data especial e demorou pra ficar pronto. Todas as crianças já haviam beliscado todos os petiscos possíveis e estavam famintas.
A criança em questão estava num quarto a parte, cochilando. Sua mãe, antes de servir o próprio almoço, preparou uma mamadeira e ia levando tranquilamente para o quarto quando outra mãe questionou em alto e bom som:
-Você vai dar mamadeira pra fulaninha na hora do almoço?!
-É que ela tá com febre. Não dormiu nada de noite.  Tá dormindo agora.
Sem parecer ter ouvido nenhuma palavra do que a primeira mãe tinha falado, ela continuou:
-Eu não daria de jeito nenhum. Hora de almoçar é sagrado.  Meu filho almoça e janta super bem. Tem 1 ano e meio e já nem toma mamadeira...

A mãe da criança febril voltou para a cozinha, serviu um pratinho e acordou a menina decidida a dar-lhe a refeição completa.  Talvez porque se sentiu julgada, ou porque pensou que estaria fazendo mal a própria filha ao dar-lhe leite ao invés de arroz e feijão. O que se seguiu foi um almoço regado a ameaças e lágrimas, pois obviamente a criança estava precisando dormir naquele momento.
Tive vontade de interferir e dizer:
-Amiga, não liga pra opinião dos outros não. Você sabe o que é melhor pra sua filha.  Faz o que seu coração mandar. Mas achei que a cota de de palpites não solicitados já tinha sido atingida.
Fiquei pensando na falta de empatia que envolveu toda essa situação. Empatia é a capacidade de nos colocarmos no lugar do outro. Primeiro a mãe perfeitinha que não se importou em analisar o contexto antes de proferir um discurso, fora de hora, sobre alimentação infantil. Segundo da mãe da criança que após ser pressionada não demonstrou empatia com a criança,  aumentando seu desconforto numa situação na qual ela precisava mesmo de acolhimento.
Não escrevi esse texto pra criticar as mães ou dizer que sou perfeita e sei todas as respostas. Ao contrário, me senti triste com tudo isso e penso como falta empatia na nossa vida e na necessidade de desenvolvermos essa habilidade. É muito comum sermos julgados por como nos comportamos, agimos, pensamos, mas é raro nos sentirmos acolhidos de verdade . Depois que temos filhos então,  parece que está aberta a temporada de distribuição gratuita de pitacos...
Fiz um  mini curso grátis sobre esse assunto que achei muito legal, vale a pena conferir. Também recomendo o texto Escutatória do Rubem Alves:
"O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranqüila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: "Se eu fosse você". A gente ama não é a pessoa que fala bonito. É a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina. Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção."
In: O AMOR QUE ACENDE A LUA)