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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Como Me Tornei Mãe - Relato de Parto Normal Hospitalar


A gravidez é um momento muito especial na vida de uma mulher. Muitas mudanças acontecem no nosso corpo e na nossa vida com a expectativa da chegada de uma criança e do papel de ser mãe.
Junto com a expectativa cresce também a ansiedade e a incerteza quanto ao que está por vir, especialmente em relação ao parto. Não é raro ouvirmos relatos terríveis de experiências trágicas quanto ao parto normal, o que acaba por criar em nossa mente o conceito de que o parto cesariana é mais seguro e mais fácil, então pra quê arriscar passar pelo trabalho de parto e correr o risco de viver todo aquele horror com desfechos infelizes que tanto nos contaram?
Eu passei por todos esses questionamentos durante minha gravidez, mas dentro de mim existia uma vontade muito grande trazer meu bebê ao mundo no tempo dele e de participar desse momento junto com meu marido, de seguir meus instintos.
Sendo assim vou compartilhar com vocês minha experiência de parto normal hospitalar.

Estávamos tentando engravidar havia um ano, e durante este tempo precisei tomar alguns medicamentos, pois tenho Síndrome dos Ovários Policísticos.
No dia 23 de agosto de 2013 recebemos nosso tão sonhado positivo.
Tive uma gravidez tranquila, sem complicações. Eu me preparava para o parto lendo diversos blogs sobre maternidade ativa, parto humanizado e sempre que podia conversava com amigas e pessoas que já eram mães.
Descobri que esperava um menino: Daniel. Ele estava se desenvolvendo forte e saudável, porém apresentava posição pélvica (sentado), o que costuma ser uma indicação para parto cesárea (mas não impossibilita o parto normal).
Conversando com minha médica soube que ele poderia mudar de posição até a hora do parto, o que me tranquilizava. Já com 37 semanas fui ao pronto atendimento, pois estava com alguns desconfortos de final de gravidez. Fui atendida pelo obstetra de plantão, que mais que depressa foi agendando uma cesariana eletiva, devido ao bebê estar sentado. Perguntei se não havia chances dele mudar de posição, pois eu ainda tinha tempo e uma ultrassonografia estava marcada para a semana seguinte. Obtive como resposta apenas um “não”.
Fiquei muito chateada, me sentido pressionada, como se tivessem me tirando o direito de decidir sobre algo que era tão importante pra nós, mas era tão banal para aquele médico! Conversando com meu marido decidimos esperar pelo trabalho de parto e procurar outra maternidade e assim fizemos.
No dia 03 de abril acordei com uma cólica leve e percebi que havia perdido o tampão mucoso. Fui animada para a consulta com a ginecologista que constatou que o bebê estava cefálico (de cabeça pra baixo) e eu já estava com 1 cm de dilatação. No dia seguinte percebi que a cólica estava se intensificando gradativamente. Saí com uma amiga no fim da tarde para tomar um café e caminhar um pouco, o que ajudou a iniciar o trabalho de parto.
Naquela noite não consegui dormir, pois não encontrava uma posição confortável na cama. A cólica ficando mais intensa e frequente. Às 3 da manhã, resolvi tomar banho para aliviar o desconforto e medir os intervalos entre as dores (que só naquele momento percebi se tratarem de contrações).
A água quente me ajudou a relaxar, então voltei para a cama para tentar descansar um pouco. Meu marido colocou alguns travesseiros nas minhas costas e debaixo dos meus pés e cochilei um pouco sentada na cama.
De manhã observamos que o intervalo das contrações era de 7 minutos e decidimos ir à maternidade depois do café da manhã. Quando estava me arrumando para sair senti uma contração mais forte, e minutos depois senti um líquido quente escorrendo pelas minhas pernas: Daniel estava dando os sinais de sua chegada.
Ansiosos e alegres fomos para a maternidade, que fica localizada em outro município. As contrações passaram a acontecer a cada 5 minutos, às vezes menos.
Chegamos à maternidade e fomos rapidamente encaminhados para avaliação com a plantonista: Estava com 6 cm de dilatação! Nesse momento as dores já estavam mais fortes. Troquei de roupa e pedi para ficar sentada enquanto aguardava meu marido que tinha ido preencher os papéis da internação.
Fomos para a sala de pré-parto e conheci os obstetras que iriam fazer meu parto. Eles vinham regularmente me examinar. Meu marido ficou ao meu lado o tempo todo, fazendo massagem nas minhas costas e cafuné quando as contrações vinham. Com 7 cm de dilatação pedi analgesia. Os médicos colocaram ocitocina no meu soro para diminuir o intervalo das contrações, que foram ficando cada vez mais intensas e frequentes.
Nesse momento, eu sentia muita dor e meu corpo fazia uma força muito grande para empurrar o bebê para baixo. Estava chegando a hora. De repente, após uma contração forte, senti o Daniel encaixando no períneo. O anestesista chegou ao quarto para ver como eu estava e meu marido pediu para que ele chamasse o obstetra para fazer o toque. Para a nossa surpresa Daniel já estava coroando, pronto pra nascer.
Saímos apressados para a sala de parto. O papai ansioso foi se preparar para o grande momento. Enquanto isso acontecia o maior reboliço na sala de parto.
Um dos médicos me disse que o bebê já estava com metade da cabeça para fora e que precisaria dar apenas um empurrão para ele nascer. Me enchi de alegria, apesar da dor. Havia uma movimentação muito grande na sala de parto. Me ajudaram a mudar de cama. Os médicos perguntavam: cadê o pai? Eu respirei fundo e ouvi a voz do meu marido que acabara de entrar na sala. Pensei: é agora! Fechei os olhos e ouvi os médicos dizendo: empurre!
Senti uma dor intensa e soltei um gemido alto. Ouvi o médico dizer: Nasceu! Escutei então seu primeiro choro, alto e vibrante. Abri os olhos, o colocaram imediatamente no meu colo.
Daniel chegou ao mundo no dia 05 de abril de 2014, às 14 horas. Nasceu rosado, cabeludo, com seus lindos olhos abertos, pesando 3,250 kg e com 49 cm.
Coloquei a mão sobre sua cabecinha e nos olhamos. Naquele instante esqueci a dor, era como se só existíssemos nós dois na sala. Ele foi se acalmando ao ouvir o som da minha voz. Senti uma conexão intensa com ele, como se tivéssemos selando um pacto apenas com aquele olhar.
Senti meu marido fazer cafuné e dizer um emocionado “parabéns mamãe”. Foi um momento tão lindo. Nós dois havíamos nos tornado pais.
A enfermeira pegou o Daniel, disse que iria fazer os primeiros procedimentos e o traria de volta para mim. O papai se despediu e foi acompanhá-lo. Fiquei mais algum tempo na sala, porque precisei levar alguns pontos. A enfermeira me trouxe um cobertor, pois eu estava sentido frio devido à anestesia.
Passados alguns minutos fui para outro quarto e Daniel chegou lá ao mesmo tempo que eu. A enfermeira me ajudou a colocá-lo no colo e começar a mamar. No nosso quarto e fomos recebidos pelo meu marido, meu pai e minha irmã. Me senti realizada por ter passado pela experiência do parto junto com meu marido e por poder estar junto do meu bebê logo que ele nasceu.
Fomos pra casa no dia seguinte. Hoje, seis dias depois, sinto-me disposta e feliz por ter esperado o trabalho de parto e ter tido o privilégio de ser atendida por uma equipe que respeitou minhas escolhas.
Me chamou atenção que durante o tempo que estive na maternidade (um famoso hospital materno infantil) todos os profissionais que me atenderam me perguntaram se o parto normal tinha sido escolha minha e alguns até me parabenizaram dizendo que esse tipo de parto se tornara raro nos dias atuais.
Naquele dia apenas eu e outra mãe tivemos parto normal naquela maternidade.
Espero que este relato incentive outras mulheres a seguirem seus instintos e se prepararem para o parto de uma forma mais ativa e menos medicalizada. Espero também que nenhuma mulher seja manipulada ou coagida por médicos e pelo Estado a ter um parto que ela não escolheu.

#SomosTodasAdelir





***Agradecimento especial ao meu marido Edmilson Ferreira que me proporcionou a alegria de ser mãe e esteve ao meu lado todo o tempo, a minha irmã Vanessa que veio do outro lado do mundo para viver esse momento comigo e à amiga Juliana Daher e seu lindo Francisco que compartilharam conosco sua experiência e me incentivaram a lutar por um parto ativo.


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